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Cronologia "Não
oficial"
Cronologia histórica de
Atibaia
Século XVII
1640/junho - Expulsão
dos jesuítas do Colégio São Paulo, que provocou a célebre disputa política
entre os membros das famílias Pires, que eram a favor dos jesuítas, e
Camargo, detentoras do poder político da Vila de São Paulo. Portugal
consegue independência após 60 anos de domínio espanhol, dando início à
quarta e última dinastia portuguesa, a dos Bragança.
1641 - Pedro Taques, líder
do partido dos Pires, é assassinado por seu rival Fernão de Camargo em pleno
largo da matriz em São Paulo. Este último era irmão, entre outros, de
Marcelino de Camargo, o patriarca de Atibaia, e Jerônimo de Camargo, o
fundador de Atibaia. A disputa entre as famílias Pires e Camargo teve
registro nas atas da Câmara de São Paulo de 1641 até o começo da discussão
sobre a elevação de Atibaia à Vila, em 1765. Ou seja, a disputa durou mais
de 100 anos.
1652 - Jerônimo de
Camargo ocupa o elevado cargo de juiz ordinário em São Paulo, integrando uma
câmara sob o domínio dos Camargos. As eleições para juizes ordinários
eram trienais. Sua eleição é acusada de fraude e um recurso é apresentado
ao ouvidor geral visando impugnar o pleito. Uma nova tragédia envolve as famílias
rivais Pires e Camargo. Alberto Pires mata sua esposa, Leonor de Camargo
Cabral, e mais um homem. Corre pela vila um boato de que ele havia vingado a
morte de Pedro Taques, assassinando sua esposa, uma Camargo que defendia o
modo de pensar e agir dos seus.
1653/maio - João
Velho de Azevedo, ouvidor geral da repartição sul, chega à São Paulo com
intenção de regularizar a situação política da vila, que se encontrava em
estado de precariedade. Ao saber da chegada do ouvidor, Jerônimo de Camargo
ausenta-se para lugar ignorado, levando consigo as chaves do Paço. O ouvidor
arromba as portas e convoca novas eleições. Desta vez vencem os Pires, que
trazem de volta os jesuítas, provavelmente mais como ato de provocação política
aos Camargos do que por fé religiosa. Acredita-se que Jerônimo de Camargo
tenha fugido para os sertões atibaianos, iniciando a partir daquele ano inúmeras
viagens a esta região, até instalar ali sua fazenda.
1653 a 1660 - O
bandeirante Jerônimo de Camargo faz várias entradas pelos sertões, em
companhia de seu irmão Marcelino de Camargo, instalando uma fazenda às
margens do rio Atubaia, erigindo ali uma capela dedicada a São João Batista
(1654 segundo alguns historiadores), iniciando com isso o nascimento da cidade
de Atibaia.
1655 / 24 de novembro
- Uma provisão de Dom Jerônimo de Atahide, conde de Atougia, tenta pôr fim
à tradicional rivalidade entre as famílias Pires e Camargo, determinando que
as câmaras paulistas fossem compostas sempre em igual número entre os Pires
e Camargos, mais um neutral.
1664 / abril - Partida
de São Paulo rumo ao sertão de Minas, via Juqueri, de uma pequena bandeira
comandada pelo sertanista padre Matheus Nunes de Siqueira, o famoso "Calção
de Couro".
1665 / 24 de junho -
Data escolhida pela Lei Municipal nº 205 de 02/07/1952 para celebrar o dia da
fundação da cidade de Atibaia, pois acredita-se que nesta data o padre
Matheus Nunes de Siqueira rezou a primeira missa na capela erigida por Jerônimo
de Camargo em sua fazenda, deixando naquela povoação os índios catequizados
durante sua bandeira. Esta data, na verdade, foi escolhida pela Câmara
Municipal como data de fundação da cidade, por ter sido no ano de 1665 a
primeira referência oficial à cidade e o dia 24 de junho, dia de São João
Batista, santo padroeiro da capela erigida por Jerônimo de Camargo e,
portanto, padroeiro da cidade.
1665 / 03 de julho -
Após seu retorno a São Paulo, o padre Matheus Nunes de Siqueira se apresenta
na Câmara de São Paulo a fim de comunicar os acontecimentos decorridos de
sua bandeira. Naquela data a Câmara de São Paulo ordena ao padre Matheus:
"para que formassem aldeia e estivessem debaixo da jurisdição dos
oficiais do conselho com os mais, para servir a Sua Majestade..." os índios
guaru - ou guarulhos - que o padre havia conquistado e deixado "... en
povoado e termo desta vila na paragen chamada Atubaia e que o reverendo padre
entregava o dito gentio, e se lhe formasse aldeia na mesma paragem donde estão".
É a primeira referência oficial sobre Atibaia e por ela fica evidente que
padre Matheus deixou os índios conquistados em sua bandeira, num
"povoado" já existente, o qual, não nos resta dúvida, serem os
primórdios da fazenda de Jerônimo de Camargo.
1666 / 9 de novembro -
A Câmara de São Paulo resolve mandar dois oficiais de Justiça à Atibaia
para "...ver se estão os índios goaramimis na paragem donde delles
tomarão lista o ano passado...".
1669 / 05 de maio - A
câmara paulista manda notificar o capitão da aldeia de Guarulhos, Antônio
Lopes de Medeiros para impedir a grande quantidade de índios que estavam se
transferindo "...para Caiosara e Atibaia.."
1679 - Atibaia passa a
ser capela curada, isto é, a ter padre próprio. No ano seguinte, é construída
por Antônio do Prado da Cunha (genro de Jerônimo de Camargo) uma capela
maior em frente à capelinha construída pelo fundador da cidade.
1680 - O bandeirante
Fernão Dias, em sua busca pelas esmeraldas, segundo historiadores modernos,
seguiu a rota das Gerais passando por Atibaia.
1681 / 24 de março -
Jerônimo de Camargo hospeda em Atibaia Rodrigo Castel Blanco, que chefiava,
por ordem real, a maior e melhor bandeira até então organizada para devassar
o sertão mineiro e atingir a cobiçada e lendária Serra das Esmeraldas,
seguindo as pegadas de Fernão Dias
1685 / maio - Jerônimo
de Camargo faz sua última entrada no sertão, organizando uma bandeira em
parceria com Antônio Bueno, Salvador de Oliveira e outros.
1687 - Jerônimo de
Camargo recebe em Atibaia a visita do padre provincial para celebrar missa,
ganhando do padre como mimo ao fundador do povoado... "quatro cambadas de
peixe salgado e três queijos, no valor de $ 480". É neste ano que se
tem a última notícia de Jerônimo de Camargo em Atibaia; sabe-se que
mudou-se para Jundiaí, onde foi formar fazenda. Faleceu naquela cidade em
princípios de 1707.
1685 a 1700 -
Distribuição das sesmarias (lotes de terras distribuídos pelos donatários
das Capitanias para que fossem ocupadas e exploradas) na região de
Atibaia.
1690 - Descoberta de
ouro na região de Minas e início do tropeirismo entre São Paulo e Minas
Gerais.
1698 - Início da
primeira grande reforma e ampliação da capela construída por Antônio Prado
da Cunha (genro de Jerônimo de Camargo).
1700 - João Lopes de
Lima, morador de Atibaia, e seu irmão padre Manoel Lopes, o "Buá",
partem de Atibaia e descobrem o ribeirão do Carmo, em Minas. Eram filhos de
Barbara Cardoso de Almeida, fundadora de Bom Jesus da Cana Verde, hoje Bom
Jesus dos Perdões.
- Nomeação de João dos
Reis Cabral como capitão das ordenanças da freguesia. Era casado com uma das
netas de Jerônimo de Camargo.
Século XVIII
1701 - Ignora-se a
ocasião exata da elevação da capela curada de Atibaia à paróquia e
aldeia. Segundo alguns pesquisadores, através de documentos existentes no
cartório episcopal, sabe-se que já o era em 1701, todavia, segundo a própria
paróquia, a sua criação deu-se em 1719, com a conclusão da Igreja e
realização do primeiro ato religioso, graças aos esforços políticos de
Antônio Prado da Cunha e Francisco de Camargo Pimentel.
1713 - Nomeação de
Jacinto da Costa como juiz vintenário da freguesia de São João de Atibaia.
O juiz de Vintera era a autoridade que resolvia as pequenas lides entre os
moradores do povoado.
1719 - Término das
obras da primeira grande reforma da capela que deu origem à Igreja Matriz de
São João Batista. Algumas anotações trazem o ano de 1744 como início das
obras de construção da Igreja Matriz e seu término em 1756. Portanto,
segundo estas anotações, a reforma de 1698 a 1719 ainda não tratava-se da
Igreja da Matriz e sim a da antiga Capela, construída por Antônio Prado da
Cunha que substituiu a original, feita pelo fundador da cidade.
1719 / 14 de dezembro
- Primeiro registro de um ato religioso em Atibaia, um batismo: "aos 14
de dezembro de 1719 batizei e pus os Santos Olhos ao inocente Francisco, filho
de Sebastião Pedroso e de Ana Rosa Forão, foram padrinhos Amaro da Silva
Alvarenga e Maria Pinto Guedes. - Padre Rabello Barros, coadjutor".
1728 - Instituição
do primeiro estabelecimento comercial da freguesia de Atibaia, era o empório
Aguirre, de José de Aguirre do Amaral.
1730 - Lucas de
Siqueira Franco torna-se o primeiro atibaiano nato a ocupar alto cargo na
administração da Vila de São Paulo ao ser nomeado Almotacé (uma espécie
de fiscal de pesos e medidas), voltando a exercer o mesmo cargo em 1735 e
1743.
1731 - Nazaré é
elevada à freguesia.
1733 - Estréia na
vida pública de Atibaia como capitão, com apenas 23 anos de idade, o futuro
capitão-mór Lucas de Siqueira Franco.
1737 - O bandeirante
Bartolomeu Bueno de Siqueira passa por Atibaia.
1740 - João do Prado
Camargo, neto do fundador de Atibaia é nomeado almotacé da câmara
paulistana; foi também vereador em 1744 e juiz ordinário em 1750. Em Atibaia
foi juiz ordinário em 1777 e 1772.
1742 - Dois atibaianos
integram a câmara paulistana pelo Partido dos Camargo: Lucas de Siqueira
Franco e Bartolomeu Corrêa Bueno.
1746/agosto - O
atibaiano Antônio Bueno de Azevedo descobre ouro em Ribeirão Palmital, onde
fundou em 13/12/1746 a então aldeia de Santa Luzia, hoje municipio de Lusiânia
(GO). Faleceu naquela aldeia em 12/05/1771.
1747 / 13 de agosto -
Atibaia é elevada à freguesia, nascendo portanto o Distrito de São João
Batista de Atibaia.
1749 - Eleição de
Lucas de Siqueira Franco para o cargo de juiz ordinário em São Paulo,
substituído no ano seguinte por João do Prado Camargo.
1761 / 15 de fevereiro
- Proposta à câmara paulista a elevação de Atibaia à categoria de vila,
pelo fazendeiro do bairro Caioçara, Frutuso Furquim de Campos, chefe do
partido dos Pires na região atibaiana. A tentativa frustrou-se por falta de
apoio dos atibaianos ilustres que pertenciam ao partido dos Camargos, ligados
à Atibaia, da câmara paulista, pois, uma vez transformada Atibaia em vila,
os partidários dos Camargos se dedicaram à política de sua terra. O partido
dos Camargos conseguiu adiar a afetivação da proposta durante quatro anos,
alegando pobreza e necessidade de compor politicamente na vila de São Paulo,
e o ato de instalação por mais de quatro anos.
1763 - Início da
construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída e
frequentada pelos escravos que não podiam entrar na Igreja da Matriz. Foi
terminada por volta de 1778.
- Desejando formar um povoado
em que fosse venerada Nossa Senhora da Conceição, em cumprimento a um voto
feito, o atibaiano Antônio Pires Pimentel e sua mulher Dona Ignácia da Silva
Pimentel, doaram terreno necessário ao patrimônio e edificação da capela,
fundando-se a freguesia de Conceição de Jaguari, situada à margem do ribeirão
Tapuchinga ou Canivete (hoje Bragança Paulista).
1765 - D. Luiz Antônio
de Souza Botelho, o Morgado de Matheus, assume o governo da Capitania.
26 de janeiro - Depois
de anos de esforços por parte do partido dos Pires, o rei de Portugal dá
provimento ao requerimento da Câmara paulista, que pedia a elevação da
Freguesia de São João Batista de Atibaia à categoria de vila.
13 de fevereiro - A
freguesia de Conceição de Jaguari passa a ser Distrito de Paz; providência
que determinou a vinda de inúmeras pessoas de outras partes, formando-se núcleo
populoso.
1766 - O atibaiano Jerônimo
de Camargo Pimentel ocupa o cargo de juiz ordinário em São Paulo. Atibaia,
neste ano, contava com 515 casas e 1506 pessoas e Jaguari com 309 casas e 1754
pessoas.
1769 - Três
atibaianos faziam parte do comando administrativo de São Paulo: Fernando de
Camargo Pimentel e Frutuoso Furquim com juizes ordinários e Antônio Gonçalves
da Cunha como vereador.
27 de junho -
Oficialização da elevação de Atibaia à categoria de vila, por portaria do
capitão geral Morgado de Matheus. A nova vila compreendia na época os hoje
municípios de Atibaia, Bragança, Nazaré, Piracaia, Bom Jesus dos Perdões e
Jarinu. Até aquela data, Atibaia fora parte do território da vila de São
Paulo. O partido dos Camargos e a população não desejavam essa emancipação.
Por todos os meios ao seu alcance, Lucas de Siqueira Franco adiara, primeiro,
a aprovação da proposta apresentada pelo partido dos Pires por quatro anos.
Estes, pelos seus próprios meios, acabaram por conseguir que o requerimento
apresentado pela Câmara paulista fosse provido pelo rei, em Portugal. Uma vez
dado o provimento pelo rei em 26/01/1765, Lucas de Siqueira Franco conseguiu,
usando do seu prestígio político, postergar os atos oficiais da emancipação
por mais quatro anos.
04 e 05 de novembro -
Atibaia recebe uma comitiva da vila de São Paulo composta pelo ouvidor,
acompanhado pelo juiz ordinário Frutuoso Furquim de Campos, do escrivão
Bustamante e dois pagens, para participarem da cerimônia de instalação da
nova vila de São João Batista de Atibaya, com o levantamento de Pelourinho,
que representava a autonomia municipal. No dia seguinte foi instalada a
primeira casa da Câmara e cadeia (atrás da Igreja Matriz de São João Batista,
onde hoje é o Edifício Magister), e aí
funcionou até 1836, quando foi transferido para o prédio onde hoje funciona
o Museu João Batista Conti. Lucas de Siqueira Franco tirou partido da situação
e recebeu as autoridades com pompas dignas do próprio rei. As festas e cerimônias
de instalação da vila foram coisa nunca vista antes, preparadas
especialmente para impressionar as autoridades e desfeitar o partido dos
Pires. A presença maciça dos partidários dos Camargos às solenidades
oficiais quase sufocou Frutuoso Furquim de Campos. Tão contrariado estava que
foi o último a assinar a ata do Auto do Levantamento do Pelourinho quando,
por força do cargo de juiz ordinário, deveria ser o segundo, logo após o
Ouvidor.
1770 / 19 de fevereiro
- Instalação da primeira Câmara Municipal, formada pelos vereadores João
Franco Viegas, Francisco Xavier Cezar e o Capitão André Pereira de Medeiros;
nomeados para juízes Antônio Gonçalves da Cunha e o capitão Domingos Leme
do Prado, todos partidários dos Pires, nomeados pelo Ouvidor que desprezou as
indicações de Lucas de Siqueira Franco.
01 de abril - Lavrada
a primeira escritura da vila no 1º Tabelionato de Notas.
1771 - Lucas de
Siqueira Franco é eleito pela segunda vez vereador à Câmara de São Paulo;
não aceitou o cargo devido aos seus muito afazeres em sua terra natal
(Atibaia). - Realização das primeiras eleições da nova vila, sob influência
e comando de Lucas de Siqueira Franco, que em resposta à nomeação da
primeira Câmara, composta pelos Pires, elegeu a primeira Câmara somente com
os partidários dos Camargos. Frutuoso Furquim de Campos recorreu ao ouvidor e
conseguiu a anulação do pleito e a realização de novas eleições, onde a
influência de Lucas de Siqueira Franco ainda prevaleceu, assim como nas eleições
seguintes, em 1772.
- A Câmara de Atibaia
solicita ao governador geral a nomeação de Lucas de Siqueira Franco para o
cargo de capitão-mor. Por instâncias de Frutuoso Furquim junto ao governador
da capitania a nomeação foi para o posto de sargento-mor. O golpe foi grande
pois todas as freguesias ao serem elevadas à categoria de vila recebiam,
imediatamente, um capitão-mor. A patente inferior, porém, não chegou a
abalar o prestígio político de Lucas de Siqueira Franco, para desespero de
Frutuoso Furquim de Campos.
1772 - Por ordem do
governador geral, os irmãos José Félix Cintra e o capitão Francisco Lourenço
Cintra organizam em Atibaia uma bandeira de 100 homens com destino aos sertões
de Iguatemi, no Mato Grosso. Na volta, os bandeirantes estabeleceram-se
definitivamente na cidade, em 1776, dando origem a uma grande descendência
que, entrelaçada aos descendentes de Lucas de Siqueira Franco, monopolizou
por mais de um século o governo em Atibaia. Da união destas duas famílias -
Cintra e Siqueira Franco - origina-se grande parte dos atibaianos de raiz, da
qual descende vários deputados provinciais: Jacinto José Ferraz de Araújo
(Cintra), Joaquim Floriano de Araújo Cintra, Florêncio de Araújo Cintra
(suplente), todos filhos do alferes Jacinto José de Araújo, netos paternos
do capitão Francisco Lourenço Cintra e netos maternos do 2º capitão-mor
Francisco da Silveira Franco, pai do último capitão-mor Lucas de Siqueira
Franco. Outros deputados provinciais da família são: Antônio Francisco de
Araújo Cintra, Evaristo de Araújo Ferraz, todos naturais de Atibaia e
descendentes da união das duas famílias.
31 de janeiro - Lucas
de Siqueira Franco é nomeado sargento-mor.
1773 - Bartolomeu
Bueno de Siqueira e seu irmão Pedro de Moraes Siqueira organizaram em Atibaia
uma bandeira para o sertões dos Cataguases, onde tiveram que lultar com os
bravos índios que lá viviam, vindo a falecer Pedro.
1775 / 03 de janeiro -
O Morgado Matheus envia ordem ao sargento-mor de Atibaia para que os
lavradores de trigo fossem para São Paulo, no prazo de 8 dias, vender os seus
trigos na Capital, pela falta do produto na vila e notícia de que
atravessadores estavam adquirindo trigo em Atibaia para vender em Minas
Gerais.
08 de maio - Nomeação
de Lucas de Siqueira Franco para o cargo de primeiro capitão-mor de Atibaia,
sendo o representante direto do governador geral na cidade, passando a ser a
maior autoridade civil e militar da vila, cargo que ocupou até a morte.
"Dentre as várias competências do capitão-mor estavam a de poder
proceder às doações de terra (sesmarias) para pessoas que considerassem
merecedoras. Também detinha a autoridade para proferir sentenças de execução
referentes às penalidades pelo não cumprimento de suas ordens. Era substituído
pelo sargento-mor se fizesse necessário". Os Siqueira Franco
monopolizaram a política da Vila de Atibaia, ocupando todos os postos
importantes durante décadas. Os quatro capitães-mor eram membros dessa
importante família.
04 de dezembro - Início
da vida pública de Francisco da Silveira Franco como capitão das Ordenanças;
posteriormente o 2º capitão-mor de Atibaia.
1783 - Morre o capitão-mor
de Atibaia, sendo nomeado para substituí-lo seu filho Francisco da Silveira
Franco, que assume como segundo capitão-mor em 25/07/1783.
1789 - Ângelo
Batista, residente em Atibaia, foi o descobridor e primeiro fundador da região
de minas de Ouro Fino (MG).
1795 - Início da
construção dos altares da Igreja Matriz, por José Francisco de
Oliveira.
1797 - Término da
construção dos altares da Igreja Matriz de São João Batista. A freguesia
de São Carlos é elevada à vila. Muitos atibaianos participaram da formação
daquela vila, hoje cidade de Campinas.
17 de outubro -
Atibaia sofre a primeira modificação em seu território com a criação da
vila de Nova Bragança, na antiga freguesia atibaiana de Conceição do
Jaguari, apesar dos protestos da Câmara atibaiana, que não concordava com o
desmembramento daquela freguesia.
Século XIX
1801 - Morre o segundo
capitão-mor Francisco Silveira Franco, assumindo como terceiro capitão-mor
seu irmão José de Siqueira Franco.
1801 a 1810 - Vários
atibaianos das mais tradicionais famílias deixam sua terra natal para morar
na nova Vila de São Carlos, hoje Campinas/SP.
1807 / 07 de janeiro -
O capitão atibaiano Lourenço Franco da Rocha e sua mulher doam, por
escritura pública, uma gleba de terras no bairro de Campo Largo para a
construção de uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo de
Campo Largo. É ele considerado como o fundador da hoje cidade de Jarinu.
1821 / 21 de julho - A
Câmara e os mais destacados moradores de Atibaia, juram obediência à
Constituição Liberal Portuguesa.
23 de agosto - Morre o
terceiro capitão-mor José de Siqueira Franco, assumindo o cargo de quarto e
último capitão-mor, seu sobrinho e filho do segundo capitão-mor e na época
sargento-mor, Lucas de Siqueira Franco, neto do homônimo e primeiro capitão-mor
de Atibaia.
1822 / 05 de outubro -
Reúnem-se a Câmara Municipal e o povo de Atibaia em sessão especial para
estabelecer os festejos comemorativos da Independência e aclamação do
primeiro imperador do Brasil, D. Pedro I.
1824 - Chegada do
primeiro morador italiano em Atibaia. Erra um mascate de nome Antônio
Fontana, que logo montou um bazar no Largo da Matriz e, posteriormente,
adquiriu um sítio a uns três km da ponte do rio Atibaia, formando ali uma
lavoura que tornou-se o bairro dos Fontanas.
12 de abril -
Juramento das bases da primeira Constituição Brasileira pelos atibaianos, no
altar mor da Igreja Matriz, depois de missa solene cantada por três padres,
que foram os primeiros a proceder ao juramento, seguindo-se toda a população.
1828 / 01 de outubro -
A Lei Imperial dessa data instituiu a "Lei Orgânica" das câmaras
municipais, estabelecendo novos regulamentos e princípios relativos à
estrutura administrativa das cidades.
1829 - A partir deste
ano as corporações administrativas das vilas passam a ser eleitas para
mandatos de quatro anos. Em substituição aos juizes ordinários foi criado o
cargo de presidente da Câmara Municipal, que era ocupado pelo vereador mais
votado e, em sua falta, por outros vereadores, obedecendo sempre a ordem de
voto nas eleições. O vereador mais votado e portanto o primeiro presidente
da Câmara Municipal para o mandato de 1829/32 era o quarto e último capitão-mor,
Lucas de Siqueira Franco, que renunciou ao cargo e foi substituído por
Jacinto José Ferraz de Araújo Cintra. As vilas passaram a ter sete
vereadores e as cidades nove. Foi criada a Guarda Nacional. A figura do capitão-mor
passa a ser meramente ilustrativa. A Justiça personifica-se no Juízo
Municipal, sendo criada a figura do juiz de Paz que dirime as pequenas
contendas, desvinculando, portanto, as atribuições de jurisdição
contenciosas das câmaras municipais.
1830 / 02 de setembro
- O bairro de Santo Antônio passa a ter capela curada, passando a se chamar
Santo Antônio da Cachoeira, hoje Piracaia.
12 de outubro - O
bairro de Campo Largo (Jarinú), passa também a ser capela curada.
1833 / setembro -
Atibaia foi designada para "cabeça de termo" (sede de comarca),
apesar dos protestos do povo bragantino.
1834 / dezembro -
Realização das eleições para a primeira Assembléia Provincial, na qual
foi eleito o atibaiano Jacinto José Ferraz de Araújo (Cintra).
1835 / 01 de fevereiro
- Instalação da primeira Assembléia Legislativa Provincial, formada por 36
deputados. Entre eles, Jacinto José Ferraz de Araújo (Cintra), eleito pelo
Partido Liberal. Foi deputado de 35 a 37; suplente em 38/39 e 40/41, (as eleições
para Assembléia eram bienais); novamente eleito deputado em 42/43, portanto o
primeiro deputado provincial atibaiano. Jacinto José Ferraz de Araújo
(Cintra) nasceu em Atibaia em 1802 e era filho do alferes Jacinto José de
Araujo Cintra, fundador e líder por muitos anos do Partido Liberal em
Atibaia.
1836 - Fica pronta a
nova Câmara e Cadeia - prédio onde hoje está instalado o Museu Municipal João
Batista Conti.
1836 / 05 de março -
A capela curada de Santo Antônio da Cachoeira (Piracaia) é elevada à
categoria de freguesia.
1837 - Desmembramento
de Atibaia do Juízo Cível de São Paulo.
1841 - O Partido
Conservador sobe ao poder no cenário político nacional, após a queda do
gabinete maiorista. Com a maioridade, em 1840, do Imperador D. Pedro II,
voltou a funcionar também o Conselho do Estado, extinto pelo Ato Adicional de
1834. Em algumas regiões do país, particularmente em Minas e São Paulo,
municípios mais antigos eram geridos desde os seus primórdios pelas elites
locais e, em geral, bem administrados. Inconformados com a cassação de
direitos que consideravam fundamentais e temendo que a reforma constitucional
eternizasse os conservadores no poder, os liberais não vislumbravam outra
alternativa senão a insurreição.
1842 - Atibaia obtém
um Juiz Municipal e de Órfãos. Início da Revolução Liberal na cidade,
chefiada no âmbito nacional pelo ex-presidente da Província de São Paulo, o
cel. Rafael Tobias de Aguiar contra o Poder Central. Em Atibaia, o chefe do
Partido Liberal era Jacinto José de Araújo Cintra, ligado ao cel. Tobias
Aguiar e que fez com que Atibaia tomasse oficialmente partido dos liberais,
juntamente com as vilas de Itu, Sorocaba e Campinas, esta mais nova, mas cuja
população em boa parte era oriunda de Itu. Em Atibaia, chefiavam a rebelião:
major Joaquim de Araújo Cintra, José da Silveira Campos, "José
Lucas", José Bueno de Campos, Francisco Bueno de Aguiar e Castro,
Teodoro Bueno de Aguiar e Castro, João Bueno de Aguiar, Leonardo José
Pedroso, Joaquim da Silva Porto, capitão Jacinto Alves do Amaral, Eugênio de
Siqueira, Frutuoso de Lima, José Antônio de Camargo, Felisberto Pires,
Francisco Lourenço da Rocha e cel. Manoel Jorge Ferraz. Há documentos sobre
a prisão do cel. Manoel Jorge Ferraz e do Padre Antônio Mello e Silva. Houve
vários registros de conflitos entre os conservadores e os liberais na Vila de
Atibaia. Entretanto, os liberais da cidade ficaram por pouco tempo fora do
poder, que logo voltou a ser exercido pelos membros da importante família
Cintra, detentora do domínio político desde as primeiras décadas do século
XIX, juntamente com os descendentes dos capitães-mor (família Siqueira
Franco), que governaram Atibaia no século XVIII.
1842 / 05 de fevereiro
- Pela Lei nº 3, a capela curada de Campo Largo é elevada à categoria de
freguesia e incorporada à vila de São João Batista de Atibaia.
24 de abril - O
presidente da Câmara, José Jacinto de Araújo Cintra, pertencente ao Partido
Liberal, não comparece ao Paço Municipal para a sessão extraordinária de
posse de alguns cargos dos membros do Partido Conservador, alegando moléstia.
Consequentemente, a sessão foi adiada para o dia 02/05/1842.
02 de maio - Os
conservadores promovem passeata nas ruas da cidade empunhando armas de fogo e
espadas desembainhadas, lançando insultos aos liberais que iam revidando,
quando o Juiz Municipal (Francisco Lourenço Cintra) e outras pessoas
influentes acalmaram os ânimos. A sessão extraordinária de posse dos
conservadores deu-se na casa do presidente da Câmara e não no prédio da
mesma em razão do grande tumulto provocado pelos conservadores que, segundo
boatos, queriam assassinar alguns membros da Câmara e pessoas influentes do
partido maiorista, (que era o liberal, chefiado na époc pelo alferes Jacinto
José de Araújo Cintra e seus filhos).
04 de maio - A Câmara
Municipal foi cassada devido ao seu "... repreensível comportamento e
flagrantes desobediências", uma vez que a Casa, ao tomar partido
liberal, recusou-se a obedecer às ordens imperiais, cujo gabinete era
conservador.
1844 - Atibaia perdeu
a freguesia de Campo Largo que passou para o termo de Jundiaí, recuperando
dois anos depois a reintegração da mesma.
24 de junho - Após o
fracasso da Revolução Liberal, veio a anistia e a Câmara reassumiu suas funções.
1846 - Joaquim
Floriano de Araújo Cintra, natural de Atibaia, onde foi batizado em 1813,
filho do alferes Jacinto José de Araújo Cintra e irmão do primeiro deputado
provincial de Atibaia, Jacinto José Ferraz de Araújo (Cintra), toma posse
como segundo deputado provincial atibaiano, sendo reeleito no biênio seguinte
(1848/49). Joaquim Floriano de Araújo Cintra advogou por muitos anos no Rio
Grande do Sul e residia em Itapira/SP. No mesmo ano, seu outro irmão, Florêncio
de Araújo Cintra, também natural de Atibaia, onde foi batizado em 1897,
tornou-se suplente de deputado provincial.
1850 - Ingressa na
Assembléia Provincial do Estado o terceiro deputado atibaiano, Antônio Gonçalves
Barbosa da Cunha, filiado ao Partido Conservador. Foi deputado em 50/51,
52/53, 54/55, 56/57, 1860/61 e 1862 a 1863, portanto por seis mandatos. Foi
também o único atibaiano eleito deputado à Assembléia Geral (hoje deputado
federal), onde se destacou por seus dotes oratórios e erudição. Faleceu na
capital federal (Rio de Janeiro) em 1869. Atibaia passou a fazer parte do
termo de Bragança Paulista.
10 de junho - A
freguesia de Nazaré é elevada à Vila e Atibaia perde, pela segunda vez,
parte de seu território original, acontecendo também a divisão entre as paróquias.
Bom Jesus da Cana Verde, hoje Bom Jesus dos Perdões, ficou fazendo parte da
nova vila de Nazaré no desmembramento.
1851 / 08 de janeiro -
A cabeça do termo é transferida para Bragança Paulista.
14 de julho - Criação
da primeira Escola Pública Feminina em Atibaia.
1853 - Início da vida
pública de José Alvim de Campos Bueno, como suplente de Fiscal, um dos mais
destacados e prestigiados políticos atibaianos do século passado. Ocupou
quase todos os cargos da administração pública na cidade. Sua descendência
deteve o domínio político da cidade entre o final do século XIX e as
primeiras décadas do século XX.
1856 - Atibaia volta a
ser cabeça de termo.
1857 - Eleição do
atibaiano Evaristo de Araújo Cintra como suplente de deputado provincial,
58/59, pelo Partido Liberal.
1858 - Formação de
um movimento popular, chefiado pelo vereador José Lucas, visando o início de
uma grande reforma na Igreja Matriz, então em ruínas. Foi executada por
escravos que formaram uma fileira de um quilômetro, da olaria do moinho até
a matriz e, de mão em mão, foram jogando os tijolos e as lenhas, até o término
da obra. E assim, a igreja outrora de dois corpos (a nave espacial e a capela
mor) passou a ter o formato da atual. Neste mesmo ano um grupo de atibaianos,
também chefiados por José Lucas, reorganizam a irmandade de Nossa Senhora do
Rosário dos Pretos e começam a reforma da igreja. Faziam parte da comissão
que reorganizou a Irmandade e a reforma: José Lucas, Salvador Ribeiro de
Toledo Santos, Francisco Soares Muniz, Manoel Jacinto Peçanha, Francisco de
Sales, Albino José Barbosa, Tomás Gonçalves Barbosa Cunha, Luiz Joaquim
Lodovico, Furtunato Manoel Rodrigues, José Pires Cardoso, Francisco José
Teixeira, Antônio Pereira de Andrade, Jacinto Manoel Leite, Benedito
Rodrigues Cardoso e João Francisco de Araújo Cintra. Era capelão do Rosário
o padre João Mariano do Prado. Esta comissão atuou até o ano de 1870.
1859 - Atibaia é
incorporada novamente à Comarca de Bragança, tendo obtido no ano anterior um
juiz togado e a reintegração de Nazaré e Santo Antônio da Cachoeira como
parte de seu termo (comarca). No dia 24 de março, a freguesia de Santo Antônio
da Cachoeira (Piracaia) é elevada à categoria de vila e desmembrada de
Atibaia que sofre a terceira modificação no seu território.
1861 / 15 de outubro -
Eleição do quarto atibaiano deputado provincial, o advogado Manoel Jacinto
de Araújo Ferraz, pelo Partido Liberal de Atibaia. Nascido em 1834, era o
filho mais novo do cel. Manoel Jorge Ferraz, de quem, juntamente com seu irmão
Lucas de Siqueira Franco Neto, herdou a chefia do Partido Liberal na cidade.
Também foi por muitos anos vereador e presidente da Câmara. Faleceu em
Atibaia, em 15/03/1901.
1862 - Toma posse como
deputado provincial para o biênio 62/63 (sendo reeleito em 64/65), Manoel
Jacinto de Araújo Ferraz. Seu pai, Manoel Jorge Ferraz, era irmão do
primeiro deputado provincial de Atibaia. Outro atibaiano de nascimento fez
parte da Assembléia Provincial em 1862/63: Evaristo de Araújo Cintra, quinto
atibaiano deputado provincial, também pelo Partido Liberal, residente em
Mogi-Mirim, por onde se elegeu; era filho de Francisco Lourenço de Araújo
Cintra (irmão do cel. Manoel Jorge Ferraz). Portanto, a Assembléia
Provincial, naquele biênio teve a participação de dois atibaianos que eram
primos.
1864 / 22 de abril -
Pelo decreto do governo provincial nº 26, Atibaia é elevada à categoria de
cidade.
18 de agosto -
Realizam-se pela Igreja Matriz as eleições para vereadores e juizes de Paz.
Desta eleição decorreu grande tumulto devido ao conflito entre os membros do
Partido Conservador, vitorioso, e os membros do Partido Liberal, que sempre se
haviam mantido no poder.
18 de setembro - Em
sessão extraordinária, a Câmara Municipal faz a instalação da cidade:
"Está inaugurada a cidade de São João Batista de Atibaia".
1865 - Conclusão da
segunda grande reforma na Igreja Matriz, sob o comando do presidente da Câmara
José da Silveira Campos, o "José Lucas" (um dos filhos do último
capitão-mor Lucas de Siqueira Franco). As comemorações foram intensas
durante a semana santa daquele ano. Data desta reforma a inclusão de sua
torre.
24 de maio - Criação
do primeiro colégio de meninas, dirigido por Madame Arpenans, onde se
ministrava o ensino de português, francês, música, desenho, prendas domésticas,
etc.
1866 - Morre o grande
líder e último capitão-mor Lucas de Siqueira Franco, aos 93 anos de idade,
com cerca de quatrocentos descendentes à época, segundo o genealogista Silva
Leme. Todos os atibaianos de raiz estão, por algum ramo, ligados ao clã
Siqueira Franco, isto é, capitães mor. Lucas de Siqueira Franco foi batizado
em Atibaia, em 1773, com o mesmo nome de seu avô paterno que fora o primeiro
capitão-mor de Atibaia e inesquecível patriarca do clã Siqueira Franco.
Casou-se em 1794 com Ana Gabriela Campos e Vasconcellos, filha do mais sério
adversário político de seu ilustre avô, Frutuoso Furquim de Campos, cujo
nome está ligado à história de Atibaia, na segunda metade do século XVIII.
Em 1821, foi solenemente empossado capitão-mor, cargo que exerceu até 1828,
ano da reforma no sistema administrativo do Império que extinguiu as funções
dos capitães-mor, porém conservou-lhes o título. Continuou interferindo na
vida política da cidade até seu falecimento. Concorreu sempre a cargos
eletivos, sendo sempre o mais votado ou um dos mais votados. Foi o primeiro
presidente da Câmara Municipal, de 1829 a 1832 e, segundo Waldomiro Franco da
Silveira, renunciou logo em seguida. Tomou parte da revolução liberal de
1842, juntamente com seus filhos, genros, primos e netos. Foi também líder
do Partido Liberal de Atibaia.
1868 - Eleito para a
Assembléia Provincial o sexto atibaiano de nascimento, Antônio Francisco de
Araújo Cintra, representando a cidade de Amparo. Nascido em 1835, era filho
do tenente coronel Francisco Lourenço de Araújo Cintra - este irmão de
Manoel Jorge Ferraz e de Jacinto José de Ferraz de Araújo (Cintra), primeiro
deputado provincial de Atibaia. Foi representante de Mogi Mirim na célebre
Convenção de Itu. Tornou-se também senador estadual de 1894 a 1896.
1872 / 18 de novembro
- Realiza-se na Igreja da Matriz a eleição municipal para vereadores e
juizes de Paz, havendo grande conflito entre os conservadores, que ganharam as
eleições, até então ganhas quase sempre pelos liberais. Durante muito
tempo se intensificou na cidade a separação entre liberais e conservadores,
mesmo havendo laços familiares entre os dois grupos. Os conservadores
cercaram o casarão onde se reuniam os liberais: Lucas de Siqueira Franco Neto
(presidente da Câmara Municipal), Manoel Jacinto de Araújo Ferraz (primeiro
juiz de Paz e presidente da mesa paroquial), capitão Salvador Ribeiro de
Toledo Santos (terceiro juiz de Paz), José Alvim de Campos Bueno, alferes João
Francisco Bueno de Aguiar, Luiz Ezequiel da Câmara e Vicente de
Carvalho.
1873 / 18 de abril - A
célebre Convenção Republicana de Itu teve a participação de três
atibaianos liberais, representantes de outras vilas: capitão Landislau Antônio
de Araújo Cintra e Antônio Francisco de Araújo Cintra, representantes de
Mogi-Mirim, e Tristão da Silveira Campos, representante de Amparo. Há anotações
de que o capitão Landislau Antônio de Araújo Cintra também representou a
cidade de Atibaia.
23 de junho - Na casa
de Eleutério de Araújo Cintra, em reunião presidida por José Inácio da
Silveira, os maçons e republicanos de Atibaia elegeram como representantes da
cidade para o Congresso Republicano Provincial, o recém chegado advogado Olímpio
da Paixão e, com seu suplente, o padre João Mariano do Prado.
1876 a 1879 - Muda-se
de Atibaia para Itapira (SP), então município de Amparo, Lucas de Siqueira
Franco Neto, penúltimo filho do cel. Manoel Jorge Ferraz, nascido em Atibaia
em 1832. Foi, durante cerca de 20 anos, chefe do Partido Liberal em Atibaia e
presidente da Câmara de 1871 a 1876, tendo ocupado várias vezes a presidência
da Câmara no período de 1865 a 1870 por ser o segundo vereador mais votado
em substituição ao seu tio, o então presidente José Lucas. Faleceu em sua
fazenda Engenho das Palmeiras, "Engenho Velho", Itapira, em 1910.
Essa fazendo histórica, de mais de duzentos anos, foi fundada pelo atibaiano
alferes Jacinto José de Araújo Cintra e passa para seu filho, Manoel Jorge
Ferraz. Quando da morte de Gertrudes da Silveira Campos, prima e viúva do
cel. Manoel Jorge Ferraz e filha do último capitão mor de Atibaia, Lucas de
Siqueira Franco, decidira-se que Manoel Jacinto de Araújo Ferraz ficaria com
os bens de Atibaia e Lucas Neto com a fazenda em Itapira, pois este estava
muito desgostoso com o rumo revanchista da política local. Esta fazenda foi
utilizada pela Rede Globo de Televisão nas filmagens da novela Rei do Gado.
1877 - Atibaia perdeu
Santo Antônio da Cachoeira, que passou para a comarca de Bragança.
1878 / 22 de dezembro
- Início dos trabalhos do ramal da estrada de ferro bragantina.
1880 / 22 de abril -
Atibaia foi transformada pela primeira vez em Sede de Comarca, pela Lei nº
97, com os termos reunidos de Atibaia e Santo Antônio da Cachoeira,
constituindo a 46ª comarca da província.
1883 - Primeiras
denominações oficiais das ruas da cidade. Profundas modificações foram
introduzidas no sistema eleitoral com a promulgação da célebre Lei Saraiva.
Primeiras denominações oficiais das ruas da cidade. Profundas modificações
foram introduzidas no sistema eleitoral com a promulgação da célebre Lei
Saraiva.
1883 a 1886 - Neste
quadriênio, a Câmara Municipal era composta por cinco vereadores liberais:
José Ignácio da Silveira (presidente), Antônio Gabriel do Amaral, Francisco
José da Silveira Pinto, Miguel Pereira da Silva e Belisário Francisco de
Camargo, e quatro conservadores: Pedro Cunha, Pedro Alexandrino Leite, Lourenço
Franco da Silveira e Olímpio da Paixão que, embora republicano, atuava ao
lado dos conservadores. Os liberais, embora maioria, não conseguiram manter o
domínio político do município que, com exceção aos raros e curtos períodos
de domínio conservador, era sempre dominado por eles. Isto se devia, entre vários
outros fatores, à atuação de Belisário de Camargo que, mesmo liberal,
tinha atuação independente e, não raro, apoiava as indicações provindas
dos conservadores. Após este período, os liberais voltaram a dominar
politicamente a cidade até a proclamação da República, quando ficaram
totalmente aliciados do poder. Os partidários do Partido Liberal voltaram ao
domínio político do município após a vitória nas eleições da primeira Câmara
do novo regime (1992), todavia, não mais como liberais, mas como membros do
PRP (Partido Republicano Paulista).
1884 / 06 de agosto -
Inauguração do ramal férreo bragantino em Atibaia, concluído pelo
bragantino Luiz Gonzaga da Silva Leme, autor da genealogia paulistana,
grandiosa obra genealógica em nove volumes. Há registros que a inauguração
ocorreu em 04/05/1884.
Novembro - O Conde
D'Eu passa por Atibaia (estação Caetetuba) em viagem com destino a Bragança
Paulista.
1885 - Construção do
primeiro coreto da cidade, na Praça da Matriz.
1886 / 15 de abril - O
advogado Olímpio da Paixão e outros vereadores neo-republicanos batem-se
duramente, em sessão da Câmara Municipal, pela libertação dos
escravos.
12 de novembro - Em
viagem à Bragança Paulista, o imperador D. Pedro II e sua esposa Dona Tereza
Cristina, são recebidos às 9 horas e 30 minutos com festa na estação de
trens da cidade (Caetetuba), onde se encontravam autoridades, banda de música
e muitos populares.
1889 / 21 de novembro -
Reúne-se a Câmara Municipal, de maioria liberal, para aderir à recém
proclamada República, com passeata pela cidade, promovida por Olímpio da
Paixão. O Partido Liberal era chefiado por José Alvim de Campos Bueno e o
Partido Conservador por Lourenço Franco da Silveira.
05 de dezembro -
Enviado ao governador da província, Prudente de Moraes, uma moção de
solidariedade ao novo regime, assinada por vários atibaianos republicanos,
encabeçada por Olímpio a Paixão.
08 de dezembro - Três
dias após a manifestação dos republicanos a favor do novo regime, Lourenço
Franco da Silveira, chefe do Partido Conservador, também faz um manifesto de
apoio ao novo regime, que segue endossado por muitos cidadãos.
28 de dezembro - Reúnem-se
na casa de Lourenço Franco da Silveira inúmeros cidadãos para fundar o
Centro Republicano Federal de Atibaia. A agremiação reunia os adesistas ao
novo regime, promovida pelos republicanos e membros do antigo Partido
Conservador, na expectativa de galgarem o poder. Sob a presidência de Olímpio
da Paixão, foram eleitos seis membros para formar a comissão executiva: João
Ribeiro (54 votos), Lourenço Franco da Silveira (54 votos), José Gonçalves
de Oliveira Cunha (50 votos), Olímpio da Paixão (42 votos), Guilherme Gonçalves
da Cunha (36 votos) e Miguel Vairo (32 votos).
1890 / 21 de janeiro -
Dissolução da Câmara Municipal através de decreto governamental e nomeação
do Conselho de Intendência que, além do órgão Legislativo Municipal,
tornou-se responsável pela vida político-administrativa da cidade até sua
extinção em 29/09/1892. Faziam parte do conselho: Olímpio da Paixão
(presidente). José Gonçalves de Oliveira Cunha (vice-presidente), Miguel
Vairo, Benedito Franco da Silveira e José Antônio Castro Fafe. Portanto, o
Conselho da Intendência foi formado inicialmente pelos autênticos
republicanos e pelos antigos membros do Partido Conservador. Também fizeram
parte do Conselho de Intendência, através de outras nomeações em substituição
aos já citados, os seguintes membros: Salvador Teixeira do Nascimento, Pedro
Soares de Moura, Antônio Soares do Amaral, João Maria de Oliveira Saldanha,
Honorato José de Oliveira Simas, Antônio de Aguiar Peçanha, Joaquim
Francisco da Silveira Leite, Juvenal Alvim e Benedito de Almeida Bueno. Com a
extinção do Conselho de Intendência foi eleita nova Câmara
Municipal.
26 de janeiro - Ante a
movimentação de adesões do Partido Conservador, que assumia a direção política
do município, o chefe do Partido Liberal, José Alvim de Campos Bueno, adere
ao Partido Republicano e constitui o diretório municipal formado pelos cidadãos:
capitão José Alvim de Campos Bueno, capitão João Pires de Camargo, Porfífio
Bueno de Aguiar, Antônio Faustino da Silveira, Thomé da Silveira Franco e Flórido
José Batista.
05 de agosto - Circulação
da primeira edição do primeiro jornal da cidade, "O Itapetinga",
que tinha como redator literário Afonso José de Carvalho e como redator político
Olímpio da Paixão. Circulou durante dois anos.
13 de novembro -
Promulgação da Lei nº 16, que tratava da organização dos municípios do
estado de São Paulo, com parte das reformas político-administrativas necessárias
após a proclamação da República. A lei determina que o município seria
governado pelo seu Legislativo (Câmara Municipal), que elegeria anualmente,
entre seus pares, um executor administrativo que receberia o nome de
Intendente Municipal.
1892 / 29 de novembro -
Toma posse o primeiro intendente municipal eleito pela Câmara, José
Francisco de Campos Bueno, o "José Bim".
1895 / 11 de novembro
- Inauguração do sistema de água encanada, com a abertura da torneira do
primeiro chafariz pelo presidente da Câmara.
1897 / 01 de agosto -
Fundação do Clube Recreativo Atibaiano. O primeiro presidente foi o juiz de
Direito da comarca, Carlos Samuel de Araújo.
1900 / abril -
Abertura do Cemitério Municipal São João Batista em substituição ao cemitério
da fábrica, que se localizava no quarteirão onde hoje encontra-se a escola
"José Alvim".
Século XX
1901 / 17 de fevereiro
- Publicação da primeira edição do centenário jornal "O
Atibaiense", de propriedade de José Antônio da Silveira Maia.
24 de novembro -
Inauguração da rede telefônica. O primeiro telefone era propriedade de José
Antônio da Silveira Maia, que ligava a cidade à estação de Caetetuba.
1902 / 04 de abril -
Morre o tenente-coronel José Alvim de Campos Bueno, também conhecido como
"Nhô Bim", descendente em linha direta de Jerônimo de Camargo. Foi
o último chefe político do Partido Liberal, que passou a se chamar no regime
republicano, Partido Republicano Paulista (PRP), foi suplente de vereador em
1860 (assumindo em 1862) e eleito em 1864 e 1868. Foi substituído no comando
político por seus filhos José Bim e major Juvenal Alvim.
1903 / 01 de maio -
Iniciam-se as obras do grupo escolar na Praça do Rosário, hoje Guilherme Gonçalves.
1905 / 17 de junho -
Inaugurado o Grupo Escolar, que em 15/03/1906, por ato do presidente do
estado, Jorge Tibiriçá, recebe o nome de "José Alvim".
20 de dezembro - Pela
Lei Estadual n º 975, São João Batista de Atibaia passa a se chamar somente
Atibaia.
1906 / 14 de janeiro -
Fundação da Società Italiana di Mutuo Socorro, tendo como primeiro
presidente Francisco Pierotti.
07 de novembro -
Promulgação, pelo prefeito, da Lei Municipal nº 100, que institui o ensino
obrigatório no município de Atibaia.
19 de dezembro -
Promulgação da Lei nº 1038 reformulando a organização municipal. Entre
outras mudanças, desvinculou o Poder Legislativo da Administração
Municipal, que seria exercida pelo prefeito municipal, agora eleito pelo
povo.
1907 - Instalação do
serviço de luz elétrica no município.
1908 - A Igreja da
Matriz recebe a imagem de São João Batista doada por João Pires de
Camargo.
15 de janeiro - Toma
posse o primeiro prefeito municipal eleito, o imigrante italiano Miguel Vairo.
1909 / 27 de fevereiro
- Inauguração da fábrica de tecidos Cia. Têxtil de São João.
1911 - Atibaia recebe
a visita do artista plástico paulista Benedito Calixto, autor do óleo com a
vista panorâmica da cidade (cujo original encontra-se hoje no Clube
Recreativo Atibaiano) e da famosa tela a óleo, retratando o batismo de Jesus
Cristo por João Batista, que se encontra no altar mor da Igreja Matriz.
02 de julho - Início
de outra grande reforma na Igreja Matriz, com término em 1918. Esta reforma
foi realizada com a finalidade de abrir os arcos existentes, aumentando o espaço
interno da Igreja, removendo-se ainda o assoalho e colocando-se o piso de
ladrilhos. Outras reformas, a partir desta, foram responsáveis pela
descaracterização da Igreja nos anos de 1940, 1960 a 1965 e 1990.
1913 / 24 de junho -
Morre o tenente-coronel José Francisco de Campos Bueno, "José Bim"
, nascido no dia 20/11/1856 em Atibaia. Foi herdeiro político de seu pai, José
Alvim de Campos Bueno, último chefe do Partido Liberal e primeiro do Partido
Republicano Paulista, PRP. Foi chefe do PRP, vereador, presidente da Câmara e
o primeiro intendente municipal. Foi substituído na chefia política por seu
irmão, major Juvenal Alvim.
1914 - A torre da
Igreja do Rosário é partida por um raio iniciando-se, então, uma reforma
concluída em 1916.
01 de fevereiro -
Inauguração, com grandes festividades, da linha férrea de Caetetuba a
Piracaia, seção da estrada de ferro São Paulo Railway, ramal
bragantino.
08 de novembro -
Inauguração da Santa Casa de Misericórdia, sendo seu primeiro provedor o
major Juvenal Alvim.
1916 / 31 de maio -
Benção solene da Igreja do Rosário, totalmente reformada com uma nova torre
no centro do frontispício, a qual foi demolida em 1953.
04 de junho - Passa
por Atibaia o pai da aviação, Santos Dumont.
1918 - Alargamento das
ruas transversais do centro da cidade.
1920 - Inauguração
do Hotel Municipal, construído pela Câmara Municipal.
1921 / 01 de setembro
- Divulgação do recenseamento federal informando a população de Atibaia:
15.305 habitantes e 2.241 estrangeiros, enquanto que o então distrito de
Jarinú possuía 5.960 habitantes e 1.166 estrangeiros.
1927 - Instalação do
primeiro aparelho de rádio para a população, na casa Russomano, de Atílio
Russomano.
30 de outubro -
Inauguração da estrada de rodagem ligando Atibaia à São Paulo, com a
presença do presidente do estado, Júlio Prestes de Albuquerque, e de todo
seu secretariado.
1928 - Empossado o sétimo
deputado estadual atibaiano, para a legislatura de 1928/30, Zeferino Alves do
Amaral, pelo PRP.
Dezembro - Inauguração
do campo de aviação, atrás do cemitério São João Batista. Inauguração
do campo de aviação, atrás do cemitério São João Batista.
1929 - Instalação da
Usina Elétrica e da Casa Paroquial.
1930 - Fundação da
Vila São Vicente de Paulo, pelo padre Francisco Rodrigues dos Santos e José
de Aguiar Peçanha (Juca Peçanha).
01 de fevereiro -
Fundação do São João Futebol Clube, hoje São João Tênis Clube.
1932 - A Revolução
Constitucionalista contou com a participação de atibaianos, com quatro
baixas: Antônio Silveira, Dulcídio Camargo Gonçalves, José Silva e Bento
Soares.
1933 - O atibaiano
Joviano Alvim, filho do major Alvim, torna-se suplente de deputado estadual
pelo PSD.
1934 - Existiam em
Atibaia cerca de 1.693 propriedades agrícolas, sendo seus proprietários, na
maioria, imigrantes. Os principais produtos cultivados eram batata, cebola,
tomate, arroz, feijão, café e milho.
1934 / 21 de novembro
- Fundação da Associação Atlética Cetebe (por Thomás dos Reis Cardoso de
Almeida), que em 1965 passou a chamar Grêmio Esportivo Atibaiense.
1936 / 09 de fevereiro
- Morre o major Juvenal Alvim, nascido em 1867. Sucedeu seu irmão, José Bim,
no comando político da cidade. Iniciou a vida pública como membro do
Conselho de Intendência em 1892. Eleito vereador em 30/10/1898 e nas
legislaturas subsequentes. Foi eleito pela Câmara o 5º intendente municipal
e presidente da Câmara de 1902 a 1913.
1937 - Início do calçamento
das ruas da cidade, sendo a primeira a rua José Lucas. Existiam em Atibaia 59
casas de secos e molhados, 17 casas de tecidos e armarinhos, 15 lojas de calçados
e chapéus, 27 botequins, 12 açougues e 10 padarias.
1938 / 01 de maio -
Fundação do abrigo de menores que posteriormente passou a chamar-se Lar Dona
Mariquinha do Amaral, do qual o primeiro presidente foi Atílio Russomano.
1945 / 18 de abril -
Atibaia é declarada Prefeitura Sanitária - pelo Decreto Lei Estadual nº
14.660 - e Estância Hidromineral. Foi nomeado com primeiro prefeito sanitário
o historiador, folclorista e ex-prefeito municipal João Batista Conti.
14 de outubro -
Retornando dos campos de guerra na Itália, os atibaianos integrantes da Força
Expedicionária Brasileira são festivamente recebidos numa apoteótica
manifestação popular.
1946 - André Granja
Carneiro, Cesar Memolo Júnior, Dorciozor Lino e Helvécio Scapin fundaram uma
biblioteca que originou a Biblioteca Municipal Joviano Franco da
Silveira.
13 de fevereiro -
Atibaia é considerada Estância Hidromineral pelo Decreto Lei Estadual nº
15.717.
26 de outubro - Início
da campanha para o Ginásio Atibaiense, cuja aula inicial se deu em 09/03/1948
pelo senador Lino de Matos. Hoje Escola Estadual "Major
Alvim".
1947 - Com a
importante ajuda de seu irmão José Pires Alvim, o "Zezico Alvim" -
líder político na época, em Atibaia - Joviano Alvim é eleito deputado
estadual por Atibaia, pelo PSD, para a legislatura de 1947/51. Os dois eram
filhos do major Juvenal Alvim. Foi o último dos oito atibaianos eleitos
deputados provinciais ou estaduais; sendo destes: Jacinto José Ferraz de Araújo
(Cintra), Manoel Jacinto de Araújo Ferraz, Zeferino Alves do Amaral e Joviano
Alvim. Os outros quatro - Antônio Gonçalves Barbosa da Cunha, Joaquim
Floriano de Araújo Cintra, Evaristo de Araújo Cintra e Antônio Francisco de
Araújo Cintra - embora atibaianos de nascimento, não foram eleitos por
Atibaia e nem a representavam.
1948 / 28 de outubro -
Fundação da Associação Industrial e Comercial de Atibaia. Atílio
Russomano foi o primeiro presidente.
24 de dezembro -
Atibaia sofre novamente uma redução de seu território com a criação da
cidade de Jarinu, através da Lei nº 233.
1949 / 11 de setembro
- Inauguração da "Maternidade Dr. Paulo Pires de Camargo" e do
aparelho de Raio -X da Santa Casa.
1952 / 13 de dezembro
- Criação do Museu Municipal, pela Lei Municipal nº 239.
1953 - Atibaia conta
com uma população em torno de 18.000 pessoas, sendo 7.300 residentes na zona
urbana.
1954 / 21 de junho -
Instituição do Brasão de Armas de Atibaia pela Lei Municipal nº 282, de
autoria de Enzo Silveira.
24 de junho - Inauguração
dos novos prédios da Câmara, Fórum e Prefeitura Municipal, onde ainda
funcionam os três poderes, pelo então governador Lucas Nogueira Garcez. Também
é inaugurado o Museu Municipal, que em 03/03/61, através da Lei Municipal,
passa a chamar-se "Museu Municipal João Batista Conti".
26 de dezembro -
Inauguração e bênção da Igreja do Rosário, completamente reformada, com
duas torres.
05 de novembro -
Inauguração da Rádio Técnica Atibaia, fundada por Ciro da Rocha
Lima.
1955 - Tombamento da
Casa da Câmara e Cadeia, localizada na praça Bento Paes, onde hoje é o
Museu Municipal João Batista Conti.
1957 / 17 de setembro -
Fundação do Sindicato do Comércio Varejista.
1958 - Início das
obras de restauração da Casa da Câmara e Cadeia, pela diretoria do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Educação e Cultura.
14 de janeiro - A
emenda na Constituição Estadual, nesta data, determinou eleições para
prefeitos, na capital e nas estâncias, voltando o cargo a denominar-se
"prefeito municipal" . Eleito o primeiro prefeito municipal desta
nova fase, o ex-prefeito sanitário Marco Vinício Chiocchetti (58 a 62),
seguido por Geraldo da Cunha Barros (62 a 64) e Antônio Júlio de Garcia
Lopes (66 a 70). Após o término do mandato de Antônio Júlio de Garcia
Lopes (66 a 70) os prefeitos voltaram a ser nomeados, em decorrência do
regime militar.
1959 / 01 de julho -
Inauguração do trecho da rodovia Fernão Dias, pelo governador Carvalho
Pinto.
1960 - Atibaia recebe,
segundo estatísticas, cerca de mil turistas nos fins-de-semana, provenientes
principalmente da capital do estado.
1964 / 04 de maio -
Através de decreto legislativo o prefeito municipal Geraldo Cunha Barros,
eleito em 1962, é impedido de exercer seu cargo.
08 de junho - Cassação
definitiva do mandato do prefeito municipal, Geraldo Cunha Barros, e do
vereador Pedro Tacco, realizada na presença de 7 dos 13 vereadores, portanto,
sem quorum regimental. Geraldo Cunha Barros retornou ao cargo pela Justiça.
30 de dezembro -
Leitura da carta de renúncia do prefeito municipal Geraldo Cunha Barros em
sessão especial na Câmara Municipal. A carta foi extorquida em Jundiaí
(SP), para onde o prefeito fora sequestrado e torturado por militares, que
obrigaram-no a assinar sua renúncia. No mesmo dia, toma posse definitivamente
do cargo de prefeito, o então vice-prefeito e também ex-prefeito sanitário,
Edmundo Zanoni, que exerceu o cargo até o seu falecimento em 03/10/65.,
quando foi substituído pelo presidente da Câmara Tito Lívio Garini, que
completou o mandato.
1965 / 23 de março -
Instituição da bandeira de Atibaia pela Lei Municipal nº 837.
1970 a 1979 - Período
em que os prefeitos municipais das estâncias foram nomeados pelo governador.
Em Atibaia foram nomeados: Olavo Amorim Silveira (70 a 71), Omar Zigaib (71 a
75) e José Aparecido Ferreira Franco (75 a 79).
1975 / 17 de fevereiro
- Tombamento da Casa de Júlia Ferraz (Casarão).
1979 - As estâncias
voltam a eleger seus prefeitos municipais. O primeiro prefeito desta nova fase
democrática foi Takao Ono (79 a 82), seguido por Gilberto Sant'Anna (83 a
88), José Aparecido Ferreira Franco (89 a 92), Flávio Callegari (93 a 96) e
Pedro Maturana (97 a 2000).
1978 / 17 de novembro
- Atibaia é transformada em Estância Turística, através da lei nº 1844.
Inauguração do Aeroporto Municipal "Dr. Olavo Amorim
Silveira".
1982 / 15 de novembro
- O partido de oposição ao regime militar ganha o governo de São Paulo com
André Franco Montoro, e em Atibaia a oposição (PMDB) também ganha,
elegendo Gilberto Sant'Anna como prefeito municipal e nove dos quinze
vereadores: Edson Antônio Teixeira, José Luiz Teixeira, Carmine Biagio
Tundisi, Odair Bedore, Rogério Ribeiro da Silva, Domingos Gerage, Douglas
Murilo Patrocínio e Mário da Silva. Os seis vereadores do partido ligado ao
regime militar (Arena, depois PDS e hoje PPB) são: Pedro Maturana, Gaspar
Camargo, Eurípedes Edson Ferreira da Silva, Pedro Tominaga, Kazuaki Araki e
Maurício Aparecido Petrucci.
1986 / 08 de maio -
Atibaia é novamente transformada em Estância Hidromineral pela Lei 5.091.
1990 / 04 de abril -
Promulgação da nova Lei Orgânica do Município, elabora pela Câmara
Municipal.
1997 / 05 de maio -
Morre o vice-prefeito e ex-prefeito por duas vezes (09/07/1975 a 19/05/1975 e
01/01/1989 a 31/12/1992), José Aparecido Ferreira Franco, o "Cido
Franco".
1998 / 03 de fevereiro
- Atibaia é notícia em toda a imprensa nacional devido a morte e
sepultamento do cantor e compositor Sílvio Caldas, que vivia há mais de 40
anos na cidade e possuía o título de cidadão atibaiense.
1998 / 04 de junho - A
Câmara Municipal cassa o mandato do prefeito municipal eleito em 1996, Pedro
Maturana, por 13 votos a 4, após apurar infrações político-administrativas
cometidas pela Administração Municipal. O prefeito retornou ao cargo através
da Justiça, 22 dias após sua cassação.
08 de julho - Pela
segunda vez a Câmara Municipal cassa o mandato do prefeito Pedro Maturana,
por 13 votos a 2, após apurar outras infrações político-administrativas.
Novamente o prefeito retorna ao cargo através da Justiça após 8 dias de
seus afastamento. Nos dois períodos de afastamento o prefeito Pedro Maturana
foi substituído pelo então presidente da Câmara Municipal, Marcus Vinício
Silveira, em razão do falecimento do vice-prefeito municipal, ocorrido em
05/05/97.
15 de dezembro - A Câmara
Municipal, através do Decreto Legislativo nº 18, anula os atos praticados em
1964, que culminaram com a cassação do mandato do então prefeito Geraldo
Cunha Barros, resultando num ato político inédito da história do
Legislativo Nacional.
1999 / 0 5 de outubro
- O Tribunal de Justiça do Estado afasta liminarmente o presidente da Câmara
Municipal, Rogério Ribeiro da Silva, após pedido do Ministério Público -
local que investigava suposta irregularidade na demissão do falso procurador
contratado pela Câmara Municipal. Após 15 dias o presidente retorna à Câmara,
através de medida adquirida no Tribunal.
(pesquisa e texto de Adriano Bedore, publicado no livro "Famílias
Ilustres e Tradicionais de Atibaia")
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