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16/09/2013 17:40:01


Técnico por acaso: Muricy iniciou carreira em clube amador de Atibaia

Por: globoesporte.com

Atibaia, 1988. O Grêmio Esportivo Atibaiense, do interior de São Paulo, faria sua reestreia na Terceira Divisão (equivalente à Quarta Divisão Paulista) e, com a ajuda de um patrocinador, conseguiu recursos para a contratação de um nome de peso do futebol brasileiro: Muricy Ramalho. O então jogador estava voltando de sua passagem pelo Puebla, do México e, com uma lesão no joelho, decidiu aceitar o desafio de defender um time formado por atletas amadores. No entanto, a situação física do ponta-esquerda piorou e, após duas partidas, Muricy trocou de posição. Deixou o posto de craque para ser improvisado como comandante do lado de fora do campo.


Muricy Ramalho posa para foto oficial do Grêmio
Esportivo Atibaiaense, em 1988 (Foto: Reprodução)

A experiência durou apenas 10 jogos, mas Muricy pegou gosto pela coisa: 25 anos depois, o técnico, que acabou de voltar ao São Paulo e já tirou o time da zona de rebaixamento, tem no currículo quatro Campeonatos Brasileiros, uma Copa Libertadores e sete campeonatos estaduais por quatro equipes diferentes. Toda essa carreira começou com Muricy Ramalho ganhando o equivalente a dois salários mínimos e viajando de São Paulo a Atibaia nos finais de semana, em seu Uno branco modelo 1984. À época, Muricy afirma que "nem sonhava ser treinador" e "quebrou galho" por amizade. Curso para ser treinador ele fez em 1990, quando estava em sua segunda passagem pelo Puebla, no México.

"O treinador foi demitido e, como não tinha outra pessoa, eu fazia os dois. Ainda não tinha ideia de que seria treinador. Fui fazer curso para isso bem depois. Naquela época, eu ainda tinha vontade de jogar. Treinávamos uma vez por semana, e ninguém ganhava quase nada no time. Não era uma coisa profissional. Procurei ajudar da minha maneira. Fiz muitos amigos no período", disse Muricy, por telefone.

Para não gastar com hotel, o treinador ficava de favor, com a família, na casa de Daniel Pires, o Mané, então vice-presidente do Grêmio Esportivo Atibaiense.

"Ele tinha apenas uma filha, a Fabíola, que ficava junto com a Roseli (mulher do Muricy) e minha mulher, enquanto nós saíamos para os jogos. O campeonato não era regional, então viajávamos para muito longe. A última viagem de Muricy conosco foi para Itápolis, quase oito horas de estrada em um miniônibus apertado. O lanche era um pão com presunto e queijo", lembra Mané.

A passagem de Muricy pelo Grêmio Atibaiense deixou mais lembranças do que registros. Há apenas duas fotos do atleta no acervo do clube. As fotografias foram tiradas no início da temporada, quando Muricy ainda era jogador. Os uniformes usados pelo time de Atibaia eram semelhantes aos do São Paulo, resultado da influência do Tricolor Paulista sobre os dirigentes, todos são-paulinos, como lembra Odair Bedore, atual presidente do clube.


Odair Bedore, presidente do Grêmio Esportivo Atibaiaense, com quadro da passagem do jogador 
(Foto: Filipe Rodrigues)

"Este time foi formado por atletas da cidade e sócios do São Paulo Futebol Clube que gostavam de jogar bola e se reuniram para atuar conosco. Foi a nossa terceira tentativa de profissionalizar, mas não deu certo. Era um time muito ruim", afirma Odair.

O fato de estar na Terceira Divisão em um clube formado por atletas amadores não tirou a vontade de vencer de Muricy. Mané lembra que o treinador já tinha o estilo ranzinza e brigava com jogadores e arbitragem. A cobrança, no entanto, não deu resultado, e o Grêmio Atibaiense deixou o campeonato na primeira fase. O então vice-presidente lembra até hoje como foi a despedida de Muricy.

"Quando chegamos de Itápolis, ele me disse na porta da minha casa: "Olha, eu adorei a experiência, mas não aguento mais. Vou procurar outra coisa para mim". Mesmo assim, ele ainda tem um carinho enorme. Me liga às vezes pedindo para eu ir visitá-lo, mas hoje a situação é outra, né?", diz Mané.

Fim do futebol profissional

O ano em que Muricy defendeu o Grêmio Atibaiense foi o último ano de futebol profissional da equipe. Depois disso, o time passou apenas a disputar o Campeonato Amador da cidade, sempre brigando por títulos. O estádio Luiz Passador, com capacidade para 2.500 pessoas, segue como o campo que recebe os jogos.


Banco do estádio Luiz Passador, onde Muricy iniciou
carreira de treinador (Foto: Filipe Rodrigues)

Além do futebol amador, o clube tem uma escolinha de futebol que possui cerca de 80 alunos, com idades entre 9 e 17 anos. Apesar de apenas disputar campeonatos amadores até o momento, o presidente do Grêmio ainda sonha em reviver o projeto de disputar campeonatos profissionais.

"Tenho um projeto em andamento para reconstruirmos nosso estádio, de forma a construir lojas em volta e gerar lucro. Acredito que um clube é uma forma de manter uma equipe com longevidade, mas precisa ser bem estruturado e bem pensado para não ficar ativo por apenas uma temporada", disse Odair.

Atualmente, a cidade é representada pelo Sport Club Atibaia na Segunda Divisão (Quarta Divisão) do Campeonato Paulista. O clube briga por uma vaga na Série A3 do Estadual e ganhou destaque ao contratar o volante Boquita, ex-Corinthians, e ao ser apelidada por seus torcedores de Atibayern, pelo estilo ofensivo.

Carreira vencedora

A passagem por Atibaia é um hiato entre duas carreiras vencedoras distintas de Muricy: Como jogador e como treinador. O atleta começou a jogar pelo São Paulo, clube que defendeu entre 1973 e 1979 e foi campeão brasileiro em 1977. Depois, mudou-se para o Puebla, do México, onde atuou até 1985, quando o ponta-direita teve problemas com o joelho e, acabou tendo de deixar a equipe no México e voltando para o Brasil.

Após a passagem por Atibaia, Muricy passou a atuar nas categorias de base como treinador. Depois, virou auxiliar de Telê Santana em uma das épocas mais vitoriosas do São Paulo, quando a equipe conquistou o Brasileiro de 1991 e o bicampeonato da Libertadores e do Mundial de Clubes, em 1992 e 1993.

Com a aposentadoria de Telê Santana, Muricy assumiu o cargo de treinador do São Paulo e, posteriormente foi substituído por Carlos Alberto Parreira. Após a saída do treinador, voltou para o Tricolor Paulista, onde ficou até 1996. Foi então que começou a rodar o interior paulista, com passagens por Ituano, Botafogo e Portuguesa Santista. No ano 2001, assumiu o Náutico, onde virou ídolo após conquistar o bicampeonato estadual com o Timbu.

A boa campanha fez com que seu nome passasse a ser sondado nos grandes clubes brasileiros. Salvou o Figueirense do rebaixamento, em 2002, e foi para sua primeira passagem no Internacional, onde conquistou o Campeonato Gaúcho em 2003. No ano seguinte, faturou o Paulista pelo São Caetano.

Voltou ao Inter, em 2005, quando foi vice-campeão Brasileiro, perdendo o título na última rodada para o Corinthians. Recebeu então, proposta, para voltar ao São Paulo, onde conquistou status de um dos principais treinadores do país ao conquistar o tricampeonato brasileiro, entre 2006 e 2008. Passou pelo Palmeiras por duas temporadas, entre 2009 e o primeiro semestre de 2010, sem títulos, mas voltou a vencer um nacional no segundo semestre do mesmo ano, pelo Fluminense, quando liderou Dario Conca e Emerson Sheik ao Campeonato Brasileiro.

Em 2011, assumiu o Santos, onde dirigiu a segunda geração dos Meninos da Vila, liderada por Neymar e Paulo Henrique Ganso. De cara, Muricy faturou o Campeonato Paulista e a Taça Libertadores. Chegou a receber proposta da Seleção Brasileira para suceder Dunga, mas recusou o convite, deixando o cargo para Mano Menezes. Ganhou mais um Campeonato Paulista, em 2012 e deixou o Santos em maio de 2013. Acostumado a títulos, chegou ao São Paulo com um objetivo mais humilde: salvar o Tricolor Paulista do rebaixamento.

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